exposição coletiva | 21 artistas
curadoria Jurandy Valença
Veredas
“Para isso, fechem seus olhos redondos, seus olhos visíveis e aceitem ver cegamente cada uma das palavras que eu digo. São tantas as coisas que, avistadas de relance, jamais poderão ser vistas”.
Pinturas, Victor Segalen
“Veredas” explora diversas linguagens como desenho, escultura, fotografia, gravura, joalheria, moda, objeto, pintura, serigrafia e texto; e reúne cerca de 40 obras de 21 artistas de cerca de dez Estados do país, e um “estrangeiro”: Adriana Meira (BA), Alina Amaral (AL), André Felipe (SP), Antônio Pereira da Silva (Sitó) (CE/MT), Carolina Krieger (SC), Davi de Jesus do Nascimento (MG), Eveline Sin (RN), Everson Fonseca (AL), Chrissie Barban (SP), Flávia Fabbriziani (SP), Gabriel Pessagno (SP), Janice Pérez (MG), James Rowland (Escócia/Austrália/RJ), Letícia Lopes (RS), Lia Chaia (SP), Mariana Coan (SP), Marilá Dardot (MG), Nazareno (SP), Patrícia Guerreiro (RJ), Ricardo Sanchez (MG) e William Baglione (SP).
A coletiva dá continuidade à pesquisa que venho desenvolvendo há anos, que une artes visuais e literatura (como em 2020 sobre Hilda Hilst, no MIS/SP), e que no ano passado também se desdobrou em duas curadorias homenageando a escritora inglesa Virginia Woolf (na Galeria 18) e o tcheco Franz Kafka (na Biblioteca Mário de Andrade). Agora é a vez de celebrar um escritor brasileiro homenageando a obra-prima do autor mineiro, “Grande Sertão: Veredas”, que completa 70 anos. Em tempo, está previsto para março ou abril o lançamento da tão aguardada biografia de Rosa.
A curadoria procura revelar um eixo fundamental da obra rosiana: a fabulação como forma de conhecimento e a imagem como narrativa do mundo. O sertão de Guimarães Rosa é atravessado por uma lógica não acadêmica, que é oral e mítica, e que borra a fronteira entre o erudito e o popular. No qual seres híbridos, animais fabulosos e paisagens encantadas dialogam com esse espaço/território rosiano enquanto mito edetentor de uma cosmologia própria, onde o [extra]ordinário emerge como linguagemcotidiana. O público terá acesso a obras que operam como narrativas visuais atravessadas por memória e religiosidade, para citar duas de suas coordenadas axiais. O que une esses artistas ao livro homenageado não é apenas a ilustração literal do romance, mas uma afinidade estrutural: a imagem, a representação – assim como na palavra – como forma de pensamento. Um modo de [re]organizar o mundo a partir da imaginação. Tal como Riobaldo (personagem do livro), esses artistas criam, contam histórias para [re]existir, [re]criando veredas visuais onde o Brasil se reconhece e se reinventa. Trabalhos que dialogam com o sertão rosiano como espaço ritual que carrega consigo uma enorme densidade simbólica.
A linguagem inventiva rosiana faz com que o romance seja lido como um épico literário, mas também uma obra híbrida, com uma lógica própria de composição que cruza os modos literário, visual e sonoro. Rosa, em “Veredas”, coloca o leitor em uma posição que não é apenas cognitiva, mas perceptiva, sensorial, visual. Não se trata apenas, no livro e na exposição, de ilustrar uma história, mas de materializar a percepção que é simultaneamente, literária, pictórica e fenomenológica.
Jurandy Valença
abertura
25 de março das 19h às 22h
visitação
25 de março a 25 de abril de 2026
local
Galeria 18
Rua Simpatia, 23
Vila Madalena – SP
o que saiu na imprensa
texto curatorial
catálogo
fotos vernissage
artistas

Adriana Meira

Alina Amaral

André Felipe

Antônio Pereira da Silva

Carolina Krieger

Chrissie Barban

Davi de Jesus Nascimento

Eveline Sin

Everson Fonseca

Flavia Fabbriziani

Gabriel Pessagno

Janice Pérez

James Rowland

Leticia Lopes

Lia Chaia

Mariana Coan

Marilá Dardot

Nazareno

Patricia Guerreiro

Ricardo Sanchez

William Baglione
obras
































