William Baglione


Natural de São Caetano do Sul e criado no Parque São Lucas em São Paulo, William Baglione viveu todas as esferas do cenário cultural brasileiro a partir dos anos 80. Atuante em diversas áreas, como curador, produtor e mais recentemente como publisher, foi na fotografia como linguagem que encontrou sua verdadeira forma de expressão autoral.

Tendo passado grande parte de sua infância em sebos, lendo livros de poesia e revistas de arte, que germinaram nele um olhar artístico para o mundo que o cercava, seu veio criativo surge ao começar a registrar o cenário das subculturas paulistanas dos anos 80, apaixonando-se pelo grafite, o skate e o movimento punk, encontrando neles uma rebeldia que se manifestava através da estética e da arte.

Em uma tentativa intuitiva de ordenar referências artísticas e culturais, misturando-as com sua experiência de vida, Baglione cria um estilo fotográfico visceral e íntimo. Suas obras são recortes narrativos, embebidos nos clichês estéticos de épocas icônicas dos anos 60 aos 90, usando o conceito do kitsch como linguagem, uma celebração irônica do excesso e da cultura pop. Estas referências não são feitas de forma crítica, são analíticas e quase como de registro, que foi o caminho inicial do artista na fotografia.

O cinema insere-se no trabalho como forma de criar cenários e fragmentos de histórias, produzindo mundos novos, populados de personagens fictícios, com os quais o artista aspira tecer uma densidade narrativa que nos remeta à um frame perdido de um longa-metragem que não existe. Através de luz, cores, formas, da direção dos atores e elementos do cotidiano, ele cria cenas nonsense, abraçando o absurdo como lógica de mundo com o qual o artista busca causar estranheza e curiosidade sobre os recortes criados. Sob a crença que a fotografia deve falar por si só, as obras buscam instigar a imersão e o questionamento sobre o que está acontecendo no instante capturado, sobre quem são aquelas pessoas, qual momento veio antes e qual virá depois.

As influências de seu trabalho vêm principalmente de movimentos de contracultura como o punk inglês, iniciando-se na moda icônica dos MODs e do “Do It Yourself”, passando pelo ska, mas também pelo movimento dark/gótico dos anos 90 e a New Wave norte americana dos anos 80. Em seus ângulos e capturas de cena, dirigidas quase como Russ Meyer em Faster, Pussycat! Kill! Kill!, vê-se um quê da violência sensacionalista e da trilha sonora de Quentin Tarantino, e nas suas composições, um distanciamento de observação que se aproxima da melancolia das pinturas de Edward Hopper.

Baglione já atuou como diretor de arte e curador em exposições e projetos no Brasil e no exterior, e já expôs seus trabalhos na Itália, E.U.A, França e Brasil.

obras



Chante Nightz

Capa Dura
188 páginas
21 x 28 cm

William Baglione tem interesse em olhar para aquilo que não é óbvio, para os detalhes mundanos, para as formas e conteúdos plurais. Não se interessa em documentar o tempo presente ou retratar as coisas e as pessoas como são. É possível identificar o cheiro da Pop Art, a energia do Punk londrino, as cores neon da New Wave norte-americana e a atmosfera do cinema underground com estética nonsense.

Chante Nightz PB

Capa Dura
184 páginas
21 x 28 cm

Chante Nightz é um dos projetos fotográficos de William Baglione, onde as imagens construídas de forma a se parecer casuais, guiam o espectador para um mundo onde realidade e ficção andam conectadas, aqui em versão PB.

Roleta Russa

Capa Dura
110 páginas
14 x 21 cm

Quando percebemos que cada decisão é uma roleta russa, passamos a escolher não com intenção serena, mas com uma ousadia que abraça o caos. Porque, no final, não são nossos valores ou aspirações que nos moldam, é a forma como sobrevivemos ao impacto de nossas escolhas.

Design & Cigarros – A arte de colecionar embalagens

Capa Flexível
260 páginas
21 x 28 cm

Wiiliam Baglione revisita suas primeiras experiências com o design na São Paulo dos anos 80, quando a estética das ruas, das capas de discos e até das embalagens de cigarro despertaram sua curiosidade visual. A partir de uma coleção inusitada, ele revela como a publicidade e a indústria tabagista moldaram comportamentos e memórias, transformando objetos cotidianos em testemunhos históricos da relação entre arte, consumo e sociedade.