exposição individual | ROFFA
texto crítico Baixo Ribeiro
Pós-concreto
ROFFA: poética do caos urbano
Kjell van Ginkel Siqueira, conhecido como ROFFA, sintetiza experiências culturais e acadêmicas que atravessam continentes e linguagens. Nascido na Holanda e atualmente radicado em Jundiaí, interior de São Paulo, o artista carrega em sua prática uma rara combinação entre rigor técnico, pesquisa profunda e uma sensibilidade plástica voltada à vida das ruas — com todas as suas dissonâncias, sinais truncados, camadas de ruído e beleza.
ROFFA tem formação extensa e diversa nas artes visuais, com ênfase no campo expandido da arte urbana. É mestre em educação pela UNICAMP, onde aprofundou suas investigações sobre arte de rua como dispositivo pedagógico e cultural. Sua trajetória acadêmica inclui ainda uma graduação dupla (bacharelado e licenciatura) em artes visuais pela renomada Willem de Kooning Academie, em Rotterdam, além de uma pós-graduação sobre a atuação de artistas profissionais em sala de aula. Soma-se a isso sua formação em design gráfico na ArtEZ Institute of the Arts e o curso técnico em design de publicidade e propaganda na Nimeto, em Utrecht.
Mas é nas ruas, nos entroncamentos e interstícios da cidade que a obra de ROFFA pulsa com mais intensidade. Sua estética nasce do caos urbano — não como reprodução literal, mas como interpretação ativa. ROFFA observa os traços dissonantes da cidade contemporânea, suas sobreposições visuais, suas zonas de conflito e colapso, e transforma tudo isso em linguagem plástica. As superfícies que constrói dialogam com a poluição visual do cotidiano, com os cartazes rasgados, pichações, placas, sinalizações, lógicas de trânsito, gambiarras e improvisos.
Sua arte se destaca pela apropriação dos signos e sinais urbanos, transformando o que poderia parecer desordem em uma composição visual elaborada, a poluição visual. ROFFA manipula códigos gráficos da paisagem urbana — como setas, linhas, padrões tipográficos e iconografias funcionais — para criar obras que não se deixam traduzir facilmente. Ele recorta, desloca e recontextualiza esses elementos, esgarçando seus sentidos originais e criando outras possibilidades de leitura.
O resultado é uma poética visual muito particular: autoral. Seus trabalhos carregam o peso da cidade, mas também sua vitalidade. Em vez de representar o urbano, ROFFA o reinventa. Há em suas obras uma espécie de cartografia emocional das ruas — onde cada sinal é memória, ruído, presença.
Essa estética de tensão e colisão tem também uma dimensão pedagógica: como educador-artista, ROFFA propõe uma escuta ativa da cidade como forma de aprendizado. Ao mesmo tempo em que intervém visualmente no espaço urbano, ele também provoca uma reflexão crítica sobre como habitamos e percebemos esses espaços. Sua prática, portanto, está na intersecção entre arte, educação e política — não no sentido panfletário, mas como construção sensível e autônoma de pensamento.
Baixo Ribeiro
abertura
24 de setembro das 19h às 22h
visitação
24 de setembro a 18 de outubro de 2025
local
Galeria 18
Rua Simpatia, 23
Vila Madalena – SP
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