
Patrícia Guerreiro, natural do Rio de Janeiro, é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Marketing e formação em Artes Visuais pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Desde a infância, mantém uma relação contínua com a expressão artística, iniciada ainda em seus primeiros cursos de pintura. Embora sua trajetória familiar não estivesse diretamente ligada ao campo das artes, sua formação e interesse se desenvolveram de maneira constante, em paralelo à atuação como jornalista no mercado financeiro. O contato com a gestão de ateliês e a produção de exposições, a partir de seu círculo próximo, foi determinante para que reconhecesse a prática artística como um campo possível de investigação e atuação profissional.
Progressivamente atraída pela tridimensionalidade, foi na cerâmica que Patrícia passou a articular questões centrais entre materialidade e conceito. A imperfeição inerente ao material, suas fissuras, rachaduras e processos de ressecamento, tornou-se um ponto de convergência com reflexões sobre o corpo. A partir dessa relação, a artista inicia um processo de investigação entre matéria e sujeito, buscando elementos capazes de simbolizar os mecanismos de controle e cerceamento social sobre o corpo feminino. Nesse percurso, encontra no arame farpado o eixo central de sua pesquisa artística, compreendendo-o como um elemento segregador e ambíguo.
O arame farpado surge, em sua obra, como símbolo de uma dualidade universal. Ao mesmo tempo em que protege, fere; ao dividir, estabelece limites. Para a artista, essa natureza contraditória extrapola a questão do feminino e se inscreve como uma condição recorrente da história humana, refletindo dinâmicas de poder, exclusão e proteção presentes nas relações sociais.
Ao explorar os limites materiais e simbólicos do arame farpado, Patrícia estabelece uma ponte entre sua formação jornalística e sua prática artística. Matéria e forma tornam-se instrumentos para a construção de narrativas visuais que abordam temas como guerra, feminilidade, sexualidade e fluxos migratórios, não como ativismo político direto, mas como proposições poéticas que evidenciam como os conflitos humanos emergem das divisões, externas e internas, que estruturam indivíduos e sociedades.
A pluralidade formal de suas obras reflete as múltiplas camadas desse questionamento. O arame pode aparecer oxidado, enfatizando o que fere e objetifica, ou delicado, banhado a ouro, prata ou bronze, tensionando a aceitação do indesejável por meio do embelezamento. Em outros momentos, surge pintado em cores vibrantes, sugerindo que cicatrizes e traumas também constituem singularidades. A cerâmica e o cimento permanecem como elementos fundamentais em sua pesquisa, somando-se ao arame e ressignificando sua presença. Para a artista, cada obra se completa na relação com o olhar do espectador, adquirindo novas camadas a partir das experiências e percepções individuais.
Entre suas referências contemporâneas, destacam-se as instalações e o desenho escultórico de Gertrud Goldschmidt (Gego), o domínio da escala e da materialidade de Richard Serra e a pesquisa formal e processual de Iole de Freitas, cuja obra foi determinante para impulsionar Patrícia a explorar exaustivamente seu material principal de pesquisa.
obras
















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