Crônicas brasileiras


exposição individual | Heinz Budweg

curadoria Galeria 18

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Crônicas brasileiras

A exposição Crônicas brasileiras convida o público a percorrer o vasto território imaginativo de Heinz von Haken Budweg, um artista que fez da pintura o seu mapa e do Brasil o seu destino. Alemão de origem e brasileiro por escolha e afeto, Heinz atravessou o país com olhar atento e coração aberto, recolhendo rostos, gestos e paisagens que se transformaram em imagens de força poética singular.

Suas obras narram o Brasil em suas múltiplas dimensões, o das florestas úmidas e exuberantes, o das festas populares que explodem em cor e ritmo, o dos trabalhadores que moldam a terra e o mar, e o das paisagens que guardam, silenciosas, a passagem do tempo. Cada tela é uma crônica visual, uma história contada com pigmentos e luz, em que o real se funde ao simbólico e o cotidiano revela sua dimensão espiritual.

Com uma técnica precisa e sensível, Heinz constrói cenas que equilibram lirismo e realismo. Seus personagens, indígenas, pescadores, lavradores e foliões, não são apenas retratados: são vividos. Habitam o quadro com a mesma intensidade com que habitam o mundo. A cor é sua língua mais expressiva, vibrando em harmonia com o calor do trópico e a intensidade do olhar.

Entre as grandes telas expostas destaca-se Amazônia, painel monumental de nove metros de extensão, síntese de uma vida dedicada à observação da natureza e à busca pela essência das coisas. Outras obras emblemáticas, como Maracatu, Moçambique, Os colhedores de café e Arrastão, compõem um mosaico de experiências humanas e geográficas que atravessam o território brasileiro.

Heinz é, como já se disse, um verdadeiro explorador das artes, um viajante que desbrava o país não em busca de ouro, mas de imagens que contenham a alma de sua gente. Em seu caminho, percorreu aldeias, portos, sertões e tradições, sempre movido pelo desejo de compreender o espírito do lugar. Essa viagem, que é também interior, revela-se em telas que pulsam vitalidade e contemplação.

Crônicas brasileiras apresenta ainda registros originais das expedições do artista, filmados em Super 8, agora reunidos em um espaço audiovisual que amplia a experiência da mostra. Mais do que uma retrospectiva, esta exposição é uma travessia, um convite a revisitar o Brasil profundo e luminoso que Heinz soube traduzir com devoção e arte.

Galeria 18

abertura

5 de novembro das 19h às 22h

visitação

5 a 29 de novembro de 2025
de terça a sexta das 10h às 19h
sábado das 10 às 18h

local

Galeria 18
Rua Simpatia, 23
Vila Madalena – SP

o que saiu na imprensa

ArteRef
DasArtes
Revista RAIZ

texto curatorial
texto homenagem
catálogo
fotos vernissage

sobre o artista


Autorretrato, 2021

Heinz Budweg nasceu em Berlim, em plena Segunda Guerra Mundial. Aos 13 anos, chegou ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Em 1958, realizou sua primeira mostra individual, no Colégio Visconde de Porto Seguro. Ao longo de sua carreira, ganhou inúmeros prêmios; entre eles, o Prêmio Jabuti, em 1974, pelas ilustrações da série infantil 24 lendas brasileiras da Editora Melhoramentos. Na década de 1960, iniciou suas viagens pelo interior do Brasil, visitando centenas de cidades e povoados. Ele percorreu em território brasileiro mais de 450 mil quilômetros, o equivalente a mais de onze voltas ao redor do planeta. Em 1976, vivenciou o dia a dia das aldeias indígenas Xerente (Goiás), Krahô (Goiás) e Urubu-Kaapor (Maranhão). Em 1978, as áreas do Pantanal mato-grossense e das aldeias indígenas Bororo, Xavante e Avê Canoeiros.

Nos anos de 1980, foi da nascente até a foz do Rio São Francisco; aos Sete Povos das Missões, incluindo as missões jesuíticas do Paraguai e Argentina; e esteve com as comunidades indígenas do Alto Xingu: Kalapalo, Mehinaco, Waurá e Kuikuro (Brasil-Central). Em 1986, durante sua exploração do Alto Rio Coluene, conheceu os indígenas Maitipu, Yawalapeti, Mehinaco e Kamaiurá.

Em 1987, fez mais duas viagens ao Parque Nacional do Alto-Xingu em Mato Grosso. A partir de 1988, explorou a Bahia, conhecendo os indígenas Kalapalo, Kiriri e Pataxó. Suas viagens aos territórios indígenas o consagraram como o maior pintor vivo de indígenas do mundo. Foi batizado pelas aldeias com o nome Agabe Werajecupê.

Na década de 1990, o Projeto Tapajós direcionou as viagens de Heinz para uma prospecção arqueológica pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a bordo de um ateliê móvel (adaptado em uma perua Kombi). Heinz registrou 18 sítios arqueológicos, destacando-se, na Amazônia mato-grossense, o “Santuário da Pedra Preta”. Por conta desta descoberta, Heinz Budweg recebeu a Medalha D. Pedro I da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História.

obras


realização: