Ateliê Aberto


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arte do artista Woody

Ateliê Aberto

A Galeria 18 apresenta o Ateliê Aberto, iniciativa concebida com o objetivo de promover uma experiência de aproximação entre artistas e público, por meio da vivência direta dos processos de criação artística.

Durante o período do evento, oito artistas atuarão em tempo real no espaço expositivo da galeria, que será transformado em um grande ateliê coletivo. Materiais como pincéis, tintas, papéis, telas, argila, entre outros, estarão em uso constante, permitindo aos visitantes acompanhar as diferentes etapas de desenvolvimento das obras.

O Ateliê Aberto oferece ao público a oportunidade de conhecer de forma ampla e transparente distintas técnicas e abordagens artísticas, incluindo pintura, desenho, cerâmica e gravura. Para além da observação, o evento estimula o diálogo, a troca de informações e a compreensão dos desafios e escolhas inerentes à prática de cada artista.

Com essa ação, a Galeria 18 reafirma seu compromisso institucional de ampliar o acesso à arte contemporânea e fomentar espaços de encontro e intercâmbio entre artistas e sociedade.

Galeria 18

data

19 de julho de 2025

horário

das 13h às 18h

local

Galeria 18
Rua Simpatia, 23
Vila Madalena – SP

artistas convidados


André Felipe

Com o trabalho ancorado em sua experiência e conhecimento técnico sobre como a sociedade lida com signos amplamente conhecidos, fruto do conhecimento de mais de 30 anos no meio da comunicação, através do seu deslocamento, carregado de ironia, esta, parte da personalidade do artista, propõe discutir como lidamos com algo fora de lugar e como reagimos a isso.

Sua pesquisa artística baseia-se sempre em incômodos que sente em relação ao que acontece ao seu redor, abusando de seu refinado repertório técnico e visual, com diversas críticas a sociedade contemporânea, através de referências comuns a todos, sem se ater a nenhuma temática específica ou linha de trabalho pré-determinada.

André Siqueira

Formado em Desenho Industrial e com experiência em publicidade e fotografia, seu trabalho explora a sociedade contemporânea, focado no consumo e no descarte prematuro de objetos. Encontra beleza estética nos objetos cotidianos, que chama de ‘poética do lugar comum’.

Utilizando técnicas de pintura acrílica, sobre papel offset descartados pelas gráficas e assemblagem de objetos obsoletos, cria uma arqueologia visual, que revela a história e a memória desses objetos. Sua obra apresenta uma visão contemporânea da natureza morta, questionando o valor e a efemeridade das coisas.

Cris Marcos

Sua prática artística desenvolve-se na interseção entre cerâmica, experimentação material e investigação de técnicas não tradicionais de modelagem. A partir da argila, explora processos que transcendem a escultura convencional, incorporando o fogo, a umidade e a pressão como agentes de transformação.

A organicidade das formas naturais serve como ponto de partida para sua pesquisa, na qual aspectos como composição, textura e cor são trabalhadas para transpor a criação tridimensional para a bidimensional, através de esculturas e placas de argila úmida com corantes minerais como matrizes para impressões sobre papel, técnica esta chamada pela artista de “Argilotipia”.

Fernando Simões

Em seus desenhos e pinturas, sua poética se manifesta através de um traço autêntico que desvela a multiplicidade da existência. O artista utiliza a figura humana e suas expansões para o sobrenatural, o animal ou o abstrato não como mero objeto de representação, mas como um espelho para as complexidades da alma, projetando nelas as nuances de diversas “personas” e “fases da vida”.

A escultura, por sua vez, introduz uma dimensão tátil e volumétrica à poética do artista. A escolha de materiais como o concreto celular, permite a exploração da rugosidade e da textura crua, elementos que conferem às obras uma materialidade expressiva. A formação em arquitetura se torna fundamental, aprimorando a visão tridimensional e permitindo que projetos prévios se complementem com a percepção da volumetria. 

Georgia Hannud

Seu processo de criação começa no instante em que o fazer consciente dá o primeiro sinal de erro. É no desequilíbrio que seu trabalho ganha forma — é ele que dá origem às suas peças. Não busca a perfeição. Rachaduras não a incomodam. O barro tem sua resistência, o fogo tem sua vontade. O que a interessa é a manifestação livre.

Sua criatividade nasce no processo, não no resultado, como uma realidade que pode ser negociada.

A artista molda a argila assim como a argila também a molda. A cada volta, ela retorna a um ponto quase inicial — porém com outro olhar, mais profundo. A artista não busca um produto acabado como destino final de seu trabalho, mas torna a jornada a própria obra.

Hannah Prado

A experimentação de materiais e a colaboração são centrais em seu processo criativo. Transita por linguagens como pintura, graffiti, colagem digital e vídeo, construindo composições que exploram sobreposições visuais, ruídos sensoriais e camadas simbólicas.

Seu processo começa no traço, no gesto direto da mão sobre o papel, o muro ou a tela. A partir daí, deixa que o trabalho se contamine: pelo som, pelo corpo em movimento, pela cidade viva. Cada obra carrega múltiplas camadas — digitais, analógicas, simbólicas — como reflexo das contradições que nos habitam. Trabalha com o que pulsa e com o que ainda floresce em meio ao ruído. 

Sidney Meleiros

Seu trabalho é fundamentado por luzes, cores, formas e volumes através de um gesto contido e livre ao mesmo tempo – uma coreografia de precisão e espontaneidade. Com uma aparente economia de elementos, o que está presente ganha mais simbologia com destaques para a linha, a cor, o suporte, o cheio e o vazio. 

Atualmente com um trabalho voltado para o ambiente urbano, assunto que muito conviveu como arquiteto, busca evitar os fatores concretos da urbanidade, com olhar para os que são palco da atividade humana, onde o cenário permanece mas os atores são vultos no instante seguinte através de uma crítica sutil e potente à desumanização desses espaços. Transforma a figura humana em algo quase arqueológico e esquecido, provocando reflexões sobre a quem pertence a cidade, quem é visto e quem é apagado. 

Woody

As telas de Woody desafiam a leitura apressada. Unem desenho e pintura em um mesmo campo pictórico. Traços simples, herdados do cartum, aliam-se (em desalinho) a densas camadas cromáticas e simbólicas. Em um jogo assíncrono de tempos e intenções, o gesto direto e narrativo do traço contrasta com uma construção intuitiva, intrincada e meditativa da cor.

A partir do imaginário de uma brasilidade cosmopolita, marcado pela cacofonia visual e por referências múltiplas, que vão da pop art ao cubismo, da espiritualidade à cultura de massa, o que Woody exercita é a busca pelo que vai dentro da alma humana. Suas telas condensam tanto os ruídos de uma São Paulo caótica, quanto a introspecção do inconsciente. Mais do que representar, seu trabalho reverbera.

Fotos: Amir Prates

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